Vamos falar de Ricardo Darín 3

Essa semana indicarei a vocês filmes essenciais para conhecer o maior ator argentino da atualidade (se não for um dos maiores de toda a história do cinema argentino), Ricardo Darín. Não é exagero dizer que é o maior ator argentino em atividade, a grosso modo, a popularidade dele na terra de Maradona é mais ou menos como a de The Rock nos EUA, é como se ele tivesse a popularidade de The Rock e o talento de um Al Pacino. Todos os filmes com Darín tem enormes filas para assistir, são um grande evento e o cara é quase onipresente! Eles está em 85% dos filmes dos hermanos. Pra mim, particularmente, ele é um dos melhores atores de língua latina em atividade.

E quem seria ele? Darín nasceu em 16 de Janeiro de 1957, na cidade de Buenos Aires e vem de uma família ligada ao cinema, televisão e teatro, seu pai, “Chino” Darín já era um ator de sucesso na Argentina. Darín estreou na profissão aos 10 anos no teatro, aos 16 anos estreou na televisão com o programa “Alta Comedia”, debutou no cinema na década de 90 com o grupo “Los Galancitos” que faziam filmes direcionados ao público juvenil mas foi no ano 2000 que ele dá o salto na carreira conquistando além do público, também a crítica, no fenomenal “Nove Rainhas”.

Mas se ele é tão bom por que nunca atuou em uma produção de Hollywood? Por falta de convite é que não foi. Segundo o próprio Darín, ele nunca aceitou convite para atuar no cinema norte-americano porque sempre o ofereciam o mesmo papel de imigrante latino/traficante de drogas/assaltante, então ele preferia continuar atuando na Argentina e na Espanha, onde ele já esteve em algumas películas, em que ele poderia estar em qualquer papel e não aumentando o preconceito estereotipado dos americanos em relação aos latinos.

Sem mais delongas, vamos aos filmes essenciais de Darín:

Nove Rainhas” (“Nueve Reinas”) (2000)

Marcos (Ricardo Darín) e Juan (Gastón Pauls) são dois picaretas que estão prestes a dar o golpe de suas vidas. Os dois se conhecem numa madrugada, após Juan tentar dar um golpe em um balconista, e resolvem se unir para participar de uma negociação milionária, envolvendo uma série de selos falsificados conhecidos como “Nove Rainhas”. Um milionário espanhol está interessado em comprar a série, mas como deixará a cidade ao amanhecer o negócio precisa ser realizado imediatamente. Com isso, o veterano Marcos ensina a Juan os segredos do ofício e a cada passo que dão encontram novos ladrões e farsantes, sendo que não poderão confiar em ninguém, nem mesmo um no outro. Em 2004 o filme ganhou uma versão americana “171” (“Criminal”) com John C. Reilly, Maggie Gyllenhaal e Diego Luna, a versão americana é boa mas não chega nem perto do original argentino.

O Filho da Noiva” (“El Hijo de la Novia”) (2002)

Aos 42 anos Rafael Belvedere (Ricardo Darín) está em crise, pois assumiu muitas responsabilidades e não tem mais tempo para qualquer tipo de diversão. Boa parte de seu tempo é gasto no gerenciamento do restaurante fundado por seu pai, no qual até tem um relativo sucesso, mas sem nunca conseguir escapar da sombra de seu pai. Rafael raramente visita sua mãe, Norma (Norma Aleandro), que está perdendo a memória, pois ela sempre implica com suas acompanhantes. Sua ex-esposa o acusa de não dar a devida atenção ao filho e ainda há Naty (Natalia Verbeke), atual namorada de Rafael, que sempre lhe exige atenção e comprometimento. Em meio a todas estas responsabilidades Rafael sofre um ataque cardíaco, que faz com que se encontre novamente com Juan Carlos (Eduardo Blanco), um amigo de infância, que o ajuda a reconstruir seu passado e ver o presente com outros olhos.

O Segredo dos seus olhos” (“El Secreto de Sus Ojos”) (2009)

Benjamin Esposito (Ricardo Darín) se aposentou recentemente do cargo de oficial de justiça de um tribunal penal. Com bastante tempo livre, ele agora se dedica a escrever um livro. Benjamin usa sua experiência para contar uma história trágica, a qual foi testemunha em 1974. Na época o Departamento de Justiça onde trabalhava foi designado para investigar o estupro e consequente assassinato de uma bela jovem. É desta forma que Benjamin conhece Ricardo Morales (Pablo Rago), marido da falecida, a quem promete ajudar a encontrar o culpado. Para tanto ele conta com a ajuda de Pablo Sandoval (Guillermo Francella), seu grande amigo, e com Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil), sua chefe imediata, por quem nutre uma paixão secreta. Venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2010. Esse é mais um filme de Darín que ganhou uma versão hollywoodiana, “Olhos da Justiça” (“Secret In Their Eyes) de 2015, com Julia Roberts, Nicole Kidman e Chiwetel Ejiofor. Apesar do elenco estelar, a versão americana é bem mais ou menos, muito diferente da fenomenal versão original.

Abutres” (“Carancho”) (2010)

Sosa (Ricardo Darín) é um “abutre”, um advogado especializado em acidentes rodoviários. Todos os dias ele vai aos locais de acidente, aos setores de emergência dos hospitais e às delegacias procurando clientes. Seu trabalho é lidar com as testemunhas, policiais, juízes e companhias de seguro. Mas o que seus clientes não sabem é que a agência para a qual trabalha está envolvida em esquemas de corrupção e desvio de dinheiro. Quando se apaixona pela jovem paramédica Luján (Martina Gusman), Sosa decide se aposentar do trabalho sujo e viver ao lado dela. Mas seu passado não o deixará tão facilmente. Apesar do nome parecido, o filme não tem nada a ver com “O Abutre” de 2014 com Jake Gyllenhaal, Bill Paxton e Rene Russo.

Um Conto Chinês” (“Un Cuento Chino”) (2011)

Roberto (Ricardo Darín) é um argentino recluso e mau humorado. Ele leva a vida cuidando de uma pequena loja e tem o hobbie de colecionar notícias incomuns. A comodidade de sua vida é interrompida quando ele encontra um chinês (Ignacio Huang) que não fala uma palavra de espanhol. O imigrante acabara de ser assaltado e não tem lugar para ficar em Buenos Aires. Inicialmente relutante, Roberto acaba deixando o asiático viver com ele e aos poucos vai descobrindo fatos sobre o chinês. Você encontra esse filme na Netflix.

Relatos Selvagens” (“Relatos Salvajes”) (2014)

Diante de uma realidade crua e imprevisível, os personagens deste filme caminham sobre a linha tênue que separa a civilização da barbárie. Uma traição amorosa, o retorno do passado, uma tragédia ou mesmo a violência de um pequeno detalhe cotidiano são capazes de empurrar estes personagens para um lugar fora de controle.

 

Esses foram apenas os meus 6 filmes favoritos de Darín, na Netflix você encontra dele os ótimos “Neve Negra” (2017) e “XXY” (2007). Sugiro que procure pra baixar ou alugar, “Elefante Branco” (2012), “Tese Sobre um crime” (2013) e “Sétimo” (2013), isso sendo bem sucinto, uma vez que Ricardo Darín é certeza de bom filme.

Texto do colunista Illo Schaun, nerd, advogado, legender nas horas vagas, roqueiro, leitor voraz de HQ e livros, viciado em filmes e séries, sonha em ser o Batman e coleciona diversas versões de batmóveis.
Twitter: @illods