A Maldição da Residência Hill (crítica sem spoiler)

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Estreiou no dia 12 de outubro na Netflix uma série condizente com o mês do Halloween . Uma inovadora série de Terror que acompanha uma família durante o processo de reforma de uma casa antiga para a revender depois (coisa comum nos EUA). 

A ação acontece em dois momentos, nos anos 80 e nos dias atuais. A família Crain, o pai Hugh, a mãe Olivia e os filhos Steven, Shirley, Theodora e os gêmeos Nel e Luke, passam um verão na residência Hill, que, como se poderia prever, muda tudo na vida da família. 

A história vai e vem entre flashforward e flashbacks (bem ao estilo “Lost”, o diretor disse que se inspirou inclusive na série).

A cronologia é muito bem tratada. Os cinco primeiros episódios são dedicados à história de cada irmão em particular, mostrando como eles se cruzam e, eventualmente, adicionando um retrato de família completo. Os episódios se movem fluentemente entre as experiências formativas da infância e o comportamento adulto resultante. O ritmo é lento, no melhor estilo terror psicológico…E olha que sou bem exigente com terror mas, quando vi, estava totalmente submersa na história!!!

A trama nos prende, fazendo-nos prestar atenção nos mínimos detalhes, o diretor te leva constantemente, e lentamente, entre passado e futuro, mas depois você vê que tudo foi bem orquestrado para aumentar a tensão até as principais revelações da série.

A história é inovadora por mostrar os personagens que escaparam da casa sobrevivendo. Isto é algo bem interessante e levanta várias questões. Como se supera algo assim? Se é que se supera… Coisas quebradas, corações partidos. Afinal ninguém se recupera de um evento traumático sem deixar sequelas. Eles deixam a casa mas será que a casa realmente os deixou?

Os sustos são excelentes. Não só o jump scary aleatório tão utilizado nas produções atuais.  

“A Maldição” nunca mostra muito e nunca faz tudo de uma vez. Há pulos de susto e momentos realmente assustadores, revelações enervantes e algumas imagens realmente horríveis. Nada disso, porém, parece gratuito ou sem peso. Os elementos de terror são manifestações de dor e de trauma, não a única causa disso.

Esta série da Netflix  fez o que as adaptações sempre deveriam, criando algo novo e coerente com o género Terror mas mantendo-se fiel ao seu espírito.

 

Texto da colunista Lorena Soeiro, nerd, professora e tradutora de língua inglesa, cosplayer, roqueira, leitora de ficção, apaixonada por séries e documentários, cinéfila. colecionadora e louca por Tim Burton.

@lorenasoeiro

2018-10-17T21:46:05+00:00