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Ao chegar no coração da Floresta Amazônica, mais precisamente no maior centro urbano da região Norte do Brasil, Manaus, Reinaldo Moraes, escritor, roteirista e boêmio, foi ao encontro do romancista Milton Hatoum. Companheiros de longa data, os dois revisitam lugares que pairam sobre a memória do autor de Cinzas do Norte. Vão ao Palácio Rio Negro e a Praça São Sebastião, a fim de redescobrir a atmosfera manauara da década de 1960, em pleno período militar e início temporal do romance de Hatoum. Além deste encontro, Reinaldo Moraes teve a ilustre companhia de mais 12 escritores na série Viagem de Bolso, que vai levar o espectador a descobrir o Brasil através da literatura.

Nela, autores como Raimundo Carrero, Mario Prata, Luiz Ruffato, Michel Laub, Carol Bensimon e Joca ReinersTerron foram convidados a apresentar um lugar sob o ponto de vista de seu livro – ou apresentar seu livro sob o ponto de vista de um lugar, como num exercício de entender até que ponto a ficção altera a cidade e como a cidade altera a ficção. Com Reinaldo, a equipe registrava os encontros e os efeitos que estes causavam – nos autores, nas cidades, no entorno. A produção, que tem estreia prevista para Agosto no canal CineBrasilTV, toma os livros como mapas e os escritores como guias, a fim de mergulhar no universo de um escritor ou escritora. Na proporção de um mergulho por episódio, o escopo é revelar a ficção e as histórias reais nas entrelinhas de cada lugar.

No primeiro episódio, Reinaldo é levado a reimaginarSalvador, combinando ao espaço geográfico a devassidão da capital soteropolitana do século XVII, presente no romance Boca do Inferno. Nele, a autora Ana Miranda mistura ficção e história numa trama cujos protagonistas são o poeta Gregório de Matos e o jesuíta Antonio Vieira. Caminhando com Reinaldo pelo Pelourinho, por meio de uma espécie de arqueologia de palavras, Ana desenterra crônicas dos homens e mulheres dilacerados pelo prazer e pelo pecado, pelo céu e pelo inferno.

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Já em Campinas, quem o espera, na casa de Hilda Hilst, é Amara Moira, travesti, feminista, doutoranda, escritora, puta – e autora do livro E se eu fosse puta. Ali, da franqueza de quem convive entre o espaço idílico da academia e a zona precária da prostituição, Amara relata os dilemas do processo de transição de gênero, dos programas com homens que buscam satisfazer os desejos mais reprimidos e dos casos de violência sexual tão comuns contra mulheres, travestis e prostitutas.

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A criadora e diretora da série, Lia Kulakauskas, defende a ideia de que a literatura não precisa ser uma arte erudita, distante, circunscrita a meios acadêmicos empoeirados inalcançáveis. Literatura é uma arte que se faz e que se vê na rua, no convívio de todos nós, nos encontros. Em Viagem de Bolso, a produção literária brasileira é pulsante, feita por autores que vivem o presente, que escrevem agora.

A Série:

Viagem de Bolso vai te levar para descobrir o Brasil através da literatura. Com os livros servindo de mapa e os escritores como guias.

Reinaldo Moraes embarca pra visitar todos os cantos do país. Navegando pelos igarapés de Manaus com Milton Hatoum, vendo um jogo do Grêmio com Michel Laub em Porto Alegre ou percorrendo o Pelourinho com Ana Miranda em busca de vestígios do século XVII, a série mergulha no universo dos escritores e revela a ficção e as histórias reais nas entrelinhas de cada lugar.

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