“Searching”, estreia do diretor Aneesh Chaganty, e é o melhor filme que eu assisti no cinema este ano!

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O thriller é emoldurado inteiramente em telas eletrônicas, laptops, celulares, até câmeras de segurança. Mas não pense que um filme que se passa 70% em sites de busca (eles pagaram para usar nomes com Google, Facebook, etc) seja chato. Muito pelo contrário!


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Muitos créditos para a narrativa inspirada e a habilidade técnica do cineastas e do escritor. 

Eles nunca fazem isso parecer forçado.

O resultado é um dos melhores e mais inovadores thrillers de 2018 até agora.

O enredo é simples. Um desesperado pai de San Jose, David Kim (John Cho (excelente em seu papel), busca por sua filha desaparecida, de 16 anos, Margot (Michelle La), que sumiu depois de, supostamente, estudar com amigos. Ele hackeia suas contas do Instagram, Facebook e iPhone para encontrar pistas. 

Enquanto vasculha as pistas reais e falsas, ele descobre mais sobre ela do que jamais imaginou. Percebe que não a conhecia tão bem… E tudo o que vemos está na tela em que está visualizando a busca frenética de David.

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O filme nos faz refletir sobre redes sociais. Que estas são uma faca de dois gumes, uma oportunidade de nos expressar e também uma chance de esconder nosso verdadeiro eu dos outros.

O desafio mais difícil aqui é fazer imagens de um ator olhando para uma tela interessantes o suficiente para nos manter presos à narrativa. 

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O filme contorna esta inércia cinematográfica com edições rápidas e um segmento de abertura íntimo e emocional que coloca a alma no mecanismo “Searching” e nos faz se importar.

Em uma sequência que me lembrou bem de “Up (Altas Aventuras)” da Pixar, Chaganty e Ohanian nos levam através de uma série de fotos, vídeos e memórias da família Kim. 

Vemos vislumbres de momentos alegres entre o marido David e a esposa Pamela (Sara Sohn) e sobre o nascimento e os recitais de piano de uma filha mais velha, Margot. 

Finalmente, chegamos à tragédia que define a família agora.

É tudo feito artisticamente. Consegue nos emocionar sem ser clichê.

David une forças com o detetive Vick (Debra Messing, da série de TV “Will & Grace”) e os dois passam juntos todo o processo de busca com ajuda comovente da detetive. Também dando apoio a David, está seu irmão, Joseph Lee. A busca que se segue envolve tentar identificar a possível localização da filha.

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Um elenco forte que contribui para criar esta sensação de tensão angustiante e estressante. O destaque claro é Cho (mais conhecido como Sulu, nos novos filmes de “Star Trek” ). Sua performance é elegante, modulada e convincente, nunca exagerando na teatralidade da situação do personagem. O que deve ser bem difícil dado que ele contracena mais com telas de notebook.

Aí você pode dizer que este formato não é novo. Afinal, um filme que conta com telas de computador para contar sua história já foi feito anteriormente, no eficaz filme de terror 2015 “Amizade Desfeita”(Unfriend).

“Buscando” ousadamente leva o conceito adiante. E fará você  rever o conceito de amizades virtuais.

Ele é bem sucedido justamente contando suas histórias: Personagens totalmente desenvolvidos, uma narrativa forte e um senso de propósito. 

“Searching” oferece muito em todos os aspectos e tem tantas reviravoltas não imaginadas que você sairá do cinema crente que acabou de presenciar uma nova forma eletrizante de ser fazer filmes!!!

Texto da colunista Lorena Soeiro, nerd, professora e tradutora de língua inglesa, cosplayer, roqueira, leitora de ficção, apaixonada por séries e documentários, cinéfila. colecionadora e louca por Tim Burton.

@lorenasoeiro

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