Foi ao ar na noite desta terça-feira, 12/07/2016 a primeira cena de sexo entre um casal do mesmo sexo (sim, casal, pois segundo o dicionário, casal é “Qualquer par de indivíduos que mantém, entre si, uma relação amorosa e/ou sexual”) da televisão brasileira. O casal gay de “Liberdade, Liberdade”. André (Caio Blat) e Tolentino (Ricardo Pereira) deixam de lado as convenções da época e se entregam à paixão.

A cena foi feita de forma muito sensível, com um bom trabalho de atuação dos atores. Cortes secos  sugerem que a duração seria maior, mas foi reduzida, talvez, para impor um tom poético e leve na cena. A iluminação e enquadramento ressaltavam o carinho e a entrega dos personagens. Muito mais que uma cena de sexo, foi uma cena de amor, que além de “ousada”, pelo ineditismo, foi como um desabafo da teledramarturgia, por acontecer logo de cara, no início do episódio. Uma cena de amor como qualquer amor retratado na TV, se não fosse algo inédito pelo alto preconceito envolvido, seria normal. Ainda será…

Em produções de outros países cenas como esta já acontecem faz tempo, desenvolvidas ligadas à trama e ao personagem. Séries como Gotham, por exemplo já mostraram relações entre pessoas do mesmo sexo. Em Gotham, a personagem Bárbara, noiva do detetive Gordon, é bissexual e já foi mostrada na cama com a detetive Montoya.

Séries como Glee, Orange is the New Black, Modern Family, Grace and Frankie, Queer as Folk, Wiil and Grace, Looking, The New Normal, The L Word, Dante’s Cove, Noah’s  Arc, True Blood, It’s All Relative, Please Like Me, The Fosters, The Lair, Buffy: A Caça Vampiros, entre outras, foram ou são veiculadas em horário nobre, em vários países, apresentam vários aspectos da relação entre pessoas de mesmo sexo, inclusive relações sexuais.

Algumas destas séries já passaram no Brasil, na TV aberta ou por cabo, e nunca geraram manifestações populares de ódio ou censura.Coisa que acontece quando uma novela ou série nacional tentam mostrar a relação entre personagens de mesmo sexo.

O autor da novela, Mario Teixeira, já havia adiantado os rumos dos personagens ressaltando que “amor não conhece gênero”, e o diretor Vinícius Coimbra havia pontuado que a cena não teria sexo explícito.”Ela deve ir além do desejo represado, da relação homossexual desses dois personagens. Ela deve refletir o drama de cada pessoa que sofre algum tipo de repressão ou condenação social, seja por sexo, cor ou religião”, disse Coimbra.

A gravação ocorreu em junho deste ano, com poucas pessoas no estúdio e durou cerca de duas horas. Em entrevistas, os atores Caio Blat e Ricardo Pereira disseram estar satisfeitos com o significado do episódio e pelo momento dos personagens.

“Estou preparado para viver esse personagem seja qual for o seu futuro. Desde o início falei que não poderia estar mais feliz com Tolentino. Fazer uma cena de beijo gay não é um problema. Não há diferença nenhuma em fazer uma cena dessa com um ator ou uma atriz”, afirmou Pereira.

“O amor que existe ali é lindo e traz muito do que a novela defende: a luta contra o preconceito, contra a intolerância e pela igualdade entre todas as pessoas”, resumiu Ricardo Tolentino. No século XIX, os gays eram vistos como criminosos e poderiam ser condenados à morte caso descobertos.

Assim como quando a novela”Amor à Vida” anunciou o primeiro beijo entre dois homens na novela,  logo que as notícias sobre a cena de sexo gay começaram a ser divulgadas pela Rede Globo, alguns grupos religiosos se manifestaram na internet contra a novela pedindo boicote à emissora.