Sequências, particularmente para filmes de ação, normalmente seguem o caminho maior.

O Protetor 2: Crítica sem spoilers 9

Denzel Washington nunca fez uma sequência antes e confesso que estava bem curiosa em saber o que o fez querer essa empreitada nova. O protetor 2 faz isso de uma forma bem equilibrada. Hora se apoia em grande calmaria e hora se apoia em uma furiosa tempestade.

Desta vez Robert McCall (Denzel) deixou oficialmente sua carreira na CIA e adotou uma vida mais simples. Ele passa seus dias lendo, conduzindo passageiros para um aplicativo e interagindo com os vizinhos.

 

De vez em quando, porém, ele revisita as habilidades adquiridas de uma vida inteira para ajudar os necessitados. Uma mãe tentando encontrar sua filha desaparecida, uma adolescente tentado pelo tráfico de drogas, uma jovem abusada por jovens privilegiados…

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Uma visita à uma velha amiga (Melissa Leo) transcorre bem, mas logo é seguida pela notícia de que ela foi assassinada no exterior. Distraído, mas determinado, McCall aplica seu conjunto particular de habilidades para a perseguição de seus assassinos. Aliás, ele parece um Batman. Excelente investigador que resolve tudo sozinho (recentemente Denzel disse que gostaria de fazer um personagem de quadrinhos, nesse filme ele mostra estar em ótima forma e é bem sombrio, seria perfeito para a DC).

O diretor Antoine Fuqua também retorna para esta continuação de seu sucesso de 2014, e como a primeira sequência de ambos, faz um excelente trabalho. Ao invés de ir mais longe com o filme ou simplesmente repetir as mesmas idéias do anterior, eles fizeram algo muito mais refrescante. Junto com o escritor Richard Wenk, eles criaram um filme que facilita o processo de forma lenta e segura. O resultado é uma experiência casualmente cativante e eletrizante.

Nós espiamos a vida de McCall se desenrolar lentamente enquanto assistimos a sua rotina e como ele aproveita ao máximo seu tempo em silêncio. Denzel sempre foi um ator fascinante e oferece mais com uma única expressão do que a maioria das estrelas de ação consegue com uma dúzia de gracejos. Isso deve-se tanto a Washington quanto à sua presença atípica em um filme de ação.

Este personagem é um homem que deixou sua vida passada para trás, mas ainda mantém suas habilidades e a memória de sua falecida esposa.

Não falarei mais do roteiro para não dar spoilers. Mas precisamos falar das cenas de ação.

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As cenas de luta são rápidas e cruéis em sua eficiência, uma experiência fantástica com confrontos primorosamente coreografados destinados às listas de “Melhores Lutas que você já assistiu”, e são as melhores habilidades do personagem de McCall. Ele termina as coisas de forma rápida e inteligente, mas as trocas não são menos divertidas por sua brevidade.

O diretor de fotografia Oliver Wood filmou a trilogia Bourne e fez, neste filme, um trabalho tão primoroso quanto.

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Denzel Washington stars as Robert McCall in Columbia Pictures’ EQUALIZER 2.

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È muito interessante ver um personagem negro (e não tão novo) no papel de protagonista de um filme de ação. Nem me lembro a última vez em que vi isso. A diferença principal é que ele entrega atuações dignas de oscar tanto nas cenas introspectivas quanto nas interações, seja falando e/ou batendo.

O Protetor 2 em sua primeira parte é sobre um personagem e a luta de um homem entre a aposentadoria e a solidão. Dá um toque investigativo no segundo ato e faz uma transição frenética para o 3. Quando há explosões violentas, mas o foco é o homem.

Há neste filme profundo equilíbrio entre cenas excessivamente tranquilas e excessivamente agitadas. Algo que nunca havia visto no cinema. Espero que não demore tanto para vir o terceiro filme da saga.

Texto da colunista Lorena Soeiro, nerd, professora e tradutora de língua inglesa, cosplayer, roqueira, leitora de ficção, apaixonada por séries e documentários, cinéfila. colecionadora e louca por Tim Burton.

@lorenasoeiro