Em 1988, um pós-graduando da Universidade Cornell, Robert Tappan Morris, soltou um vírus de computador na recém surgida internet, como experiência, mas o código que ele produziu fugiu ao controle, afetando quase 50 mil computadores conectados à rede. Morris se tornou um dos primeiros hackers a ser condenado, depois vieram baderneiros, pichando sites para se gabarem. O crime organizado descobriu que poderia hackear bancos. E aí chegaram os hacktivistas.

Denominando-se Anonymous, eles invadiram teleconferências entre agentes do FBI e violaram as redes do Vaticano. Ficou impossível saber quem, ou o que, o Anonymous quer atingir. Críticos e defensores discutem até que ponto sua ação deve ser tratada como protesto político ou como crime.

Sem um corpo, assim como uma rede terrorista, o Anonymous é composto por células , é multinacional e reconhecido pelas máscaras de Guy Fawkes usadas pelos seus integrantes (baseadas na obra em quadrinhos V for Vendetta) . O Anonymous é movido por uma série de causas, da repressão na Tunísia aos direitos dos animais no Tennessee, passando pela defesa do site dedo-duro WikiLeaks.

O grupo Anonymous

A primeira ação abertamente política do Anonymous aconteceu em 2008, quando ele se voltou contra a Igreja da Cientologia.

O grupo logo virou um movimento global com múltiplos propósitos. Alinhou-se a causas populares entre os jovens, como o movimento Occupy, a Primavera Árabe e o combate internacional à censura na internet.

Os hackers raramente conhecem a identidade off-line dos colegas. Isso significa que raramente sabem quem pode ter virado um traidor da causa.

Numa época em que a vida, o comércio e a política se tornaram digitais, o Anonymous pode ameaçar governos, assim como pode, simplesmente, jogar na internet os números dos cartões de crédito de pessoas inocentes.

O Anonymous já gerou várias versões. Qualquer um pode ser Anonymous, e qualquer um que se diga Anonymous pode realizar um ataque em seu nome. Devido ás várias células que compõem seu “corpo”, o Anonymous tem várias ideologias, algumas arrebatam simpatizantes, outras chocam e geram repúdio.

Algumas facções do Anonymous usam a força bruta para derrubar sites na sua mira. Outras invadem sistemas e furtam dados. Eles já ameaçaram derrubar os servidores-raiz da internet, parte da infraestrutura básica da web, no Dia da Mentira, 1° de abril, o que na prática tiraria a internet do ar no mundo todo.

Em dezembro de 2000, Mary Landesman, pesquisadora de segurança, hoje na Cisco leu algo preocupante: uma criadora de vírus perguntava num fórum aonde seus colegas haviam ido. Landesman viu nisso um mau presságio: os criadores de vírus haviam começado a trabalhar para pessoas que podiam pagá-los e ficavam quietos.

No começo da década de 2000, uma ágil rede criminosa internacional começou a se formar. Os hackers trocavam softwares maliciosos e se valiam de contas alheias. Logo as quadrilhas de espionagem digital já conseguiam roubar códigos-fonte.

Hackers com motivações políticas começaram a aparecer no final da década de 1990. Os da China e de Taiwan duelavam entre si. Ativistas antinucleares desfiguraram um site do governo indiano depois que a Índia realizou testes nucleares.

Envolveram-se ativamente nas manifestações contra o aumento da passagem de ônibus, trem e metrôs em São Paulo, RJ, MG e em outras cidades, usando o Facebook como plataforma de comunicações.

O Anonymous começou a desafiar uma ordem política e econômica bem mais ampla, reescrevendo a cartilha hacktivista.