Injustice: Gods Among Us, jogo de combate com os personagens da DC Comics, inovou investindo em uma história intrincada, no modo single player, lembrando bastante alguns dos clássicos dos quadrinhos. Na história que se desenvolve no jogo, antigos aliados devem se enfrentar, invertendo os papéis do bem contra o mal, trazendo dois recursos recorrentes dos quadrinhos: dimensões paralelas/alternativas e embates entre super heróis.

Raramente se vê histórias terem tal destaque em jogos de super heróis, Injustice: Gods Among Us evoca grandes sagas dos quadrinhos,  inspira-se especialmente em Reino do Amanhã, cultuada minissérie de Mark Waid e Alex Ross.

[dt_divider style=”double-gap”/]Injustice: Gods Among Us - A história por traz da ação

Na história em quadrinhos, Superman afasta-se da humanidade depois de uma catástrofe envolvendo o Coringa. Depois de muito tempo, uma nova geração de jovens superpoderosos começa a agir sem a influência de heróis do passado, portanto sem seu código moral. O crime desaparece, mas gangues de heróis digladiam-se nas grandes cidades por controle. Cabe ao Homem de Aço retornar para impor a honra e a justiça.

Combate entre heróis na minissérie "O Reino do Amanha"

Combate entre heróis na minissérie “O Reino do Amanha”

Injustice: Gods Among Us tem muito desta premissa. Em uma realidade paralela, o Coringa foi o responsável por uma catástrofe envolvendo diretamente o Superman e sua família, fazendo com que o Homem de Aço tome as rédeas da humanidade, criando uma ditadura que coloca aliados em lados opostos.

Com Batman: Arkham e agora Injustice, os jogos passaram a valorizar a história por traz da ação, trazendo grandes jogos baseados em histórias em quadrinhos de super heróis.

O Reino do Amanhã foi uma minissérie no formato quadrinhos publicada pela DC Comics, escrita por Mark Waid e ilustrada com arte pintada de Alex Ross. A história mostrava o futuro possível de um Universo DC 20 anos a frente, onde os heróis atuais perderam o respeito pela humanidade, o que obriga os antigos heróis, que haviam se aposentado, a retornarem a ativa para pôr um fim aos atos violentos cometidos por seus sucessores.

Toda história é vista pelo pastor Norman McCay, que é feito invisível, inaudível e intangível pelo Espectro.

Quando o Coringa matou todos os funcionários do Planeta Diário- incluindo Lois Lane – (exceto, lógico, Clark Kent), Magog, um herói em ascensão muito violento, e o próprio Superman, vão em busca do vilão. Por puro acaso Magog encontra o Coringa segundos antes do Superman e tira-lhe a vida friamente. Magog é julgado e absolvido pela vontade da população. O Superman fica constrangido com essa manifestação popular em defesa de um assassino e se aposenta, indo morar em sua Fortaleza da Solidão. E com isso outros heróis da antiga geração também desaparecem.

Cerca de vários anos depois, um grupo formado por Magog e versões de heróis da Charlton Comics perseguem o Parasita no Kansas. O Parasita, num golpe, rasga o peito do Capitão Átomo e este explode liberando toda sua radiação quântica numa detonação nuclear, varrendo do mapa até cidades próximas. Magog sobreviveu devido a invulnerabilidade.

Superman retoma então sua função heróica, e encontra o mundo povoado por heróis sem virtudes, inundado por superseres que não se importam mais com os humanos e só se preocupam em lutar, sem saber ao certo por que lutam, que gastam seu tempo unicamente em lutas uns com os outros, pouco se preocupando em proteger o cidadão comum. Outros heróis mais antigos viviam em suas próprias utopias particulares:

Lanterna Verde (Alan Scott) (retratado como um cavaleiro de armadura de energia verde, um verdadeiro Gladiador Esmeralda) vigiava dia e noite de uma cidadela espacial criada com seu anel, esperando uma invasão espacial que nunca vinha;

Flash (retratado tendo pele vermelha e o capacete de Hermes, ou de Jay Garrick) Após se fundir com a Força de Aceleração, as moléculas de Flash se tornam instáveis e como resultado, ele está em constante movimentação. Ele é referido como “Wallace West” na adaptação literária de Elliot S! Maggin e posteriormente, Mark Waid confirmou que esse Flash do Reino do Amanhã é Wally West;

Gavião Negro (retratado como um verdadeiro homem-gavião) dedicava-se somente a deter ameaças ecológicas. Batman mantinha Gotham City totalmente sob seu controle, parando qualquer crime com seus Bat-robôs.

Nisso inicia-se o retorno do Superman à ativa. Outros também se motivam a voltar e mostrar um caminho a seguir, onde o mais importante é a vida, coisa esquecida pelos jovens heróis. No decorrer da história alguns se negam a se coverterem a essa ressuscitada ordem e são presos em uma cadeia para superseres.

Contudo, alguns vilões, chefiados por Lex Luthor, elaboram um plano para se livrarem de todos os superseres e assim dominarem tudo. Com o inicio de uma revolta nessa prisão, Superman voa ao local para impedir que haja uma matança, contudo, é impedido pelo Capitão Marvel, que havia sofrido lavagem cerebral causada por Lex Luthor. Inicia-se então uma grande batalha. Em meio a isso, o governo, preocupado com tudo que estava acontecendo, dispara uma bomba nuclear para destruir todos os superseres e assim terminar com as ameaças. Percebendo a aproximação da arma, Superman consegue conter o Capitão Marvel e tenta lhe trazer à razão novamente, livrando-o do dominio de Luthor. Em seguida o Homem de Aço parte para deter o missíl mas, no último momento, é impedido pelo Capitão Marvel que ao se livrar do dominio de Luthor percebera seus erros e decide ele próprio parar o artefato. Ele falha e há uma explosão.

A destruição é total e poucos sobrevivem. Dentre esses estão superseres que foram protegidos pelo anel do Lanterna Verde, Batman e Mulher Maravilha, que não estavam, e o Superman, que resistiu a explosão. Então o Superman vai até a ONU, de onde foi lançado o míssil, e resolve perdoar os humanos retomando a função que não deveria ter abandonado, a de guiar o mundo.

O Reino do Amanhã, além da qualidade gráfica e artística, mostrou que os conceitos de não matar dos antigos heróis ainda eram válidos, apesar do tempo e do clamor por personagens mais violentos. Sem dúvida, o Reino do Amanhã influenciou positivamente o Universo DC, reavivando muito do ideal e grandeza dos heróis.