“Sambista, ator e autor” é assim que Mário Lago se define no documentário “Mário Lago”, que será exibido pela primeira vez em São Paulo na 37° Mostra Internacional de São Paulo, que acontece de 18 a 31 de outubro. Com direção de Marco Abujamra e Markão Oliveira, a narrativa do filme é feita pelo próprio Mário Lago, que nos leva para um passeio sobre sua vida, por meio de entrevistas, composições e frases que continuam acompanhando gerações, sem abrir mão da lucidez e do carisma típicos de um exímio carioca.

 Com 96 minutos, o documentário resgata imagens de arquivo raras, como Andrews Sisters cantando “Aurora” com Abbott e Costello no filme “Hold That Ghost ” de 1941,  e também alguns depoimentos como o de Lima Duarte. Nele o ator conta o inicio da amizade dos dois na Rádio Tupi e os tempos de boêmia, fechando com uma citação que Mário Lago fez sobre Lima, que segundo ele foi a mais linda homenagem que recebeu em sua vida. 

 

No filme, Mário Lago conta sobre uma época que estava em uma situação econômica difícil, sem trabalho na “lista negra” da ditadura e Dercy Gonçalvez quando soube o chamou para participar de um espetáculo. “O melhor cachê é para o Mário” recomendou Dercy. Mas, Mário ficou cabreiro com o “estilo de teatro” de Dercy, e foi conversar com a atriz que rapidamente rebate “Mário, o mais importante é o leite das crianças”. O documentário ilustra a história com cena rara dos dois no palco.

  Mário Lago foi preso 7 vezes por motivos políticos e um de seus companheiros de prisão foi Pedro, detido na ditadura militar e acusado por engano de comunista. Pedro era uma pessoa humilde e muito jovem na época, que entrou em profundo desespero diante da situação e no documentário ele narra como “Seu Mário” o acolheu do inicio ao fim. 

 Para Marco Abujamra, que também dirigiu o premiado “Jards Macalé – Um Morcego na Porta Principal”, Mário Lago era uma flor com raízes de aço. “Se é possível ser acolhido postumamente, creio que o fui. É a segunda biografia que faço, e nas duas busquei me inspirar na obra e na intimidade dos personagens para desenvolver a linguagem, para escolher como contar essas histórias. E esse mergulho delicioso na vida de Mário Lago foi um privilégio que estará sempre guardado num lugar muito especial em meu coração”, observa.

  Já na visão  do diretor Markão Oliveira, o documentário “Mário Lago” nos leva para um Rio de Janeiro mais gentil, alegre e delicado e também para um momento histórico, tenebroso, passando pela formação de diversas produções culturais e artísticas que marcaram o século 20 no Brasil.

 No documentário “Mário Lago”, os 25 anos de carreira na televisão, o amor pelo rádio e a atuação no cinema também são retratados através de trechos raros de programas da rádio nacional, novelas como “O Casarão”, “Barriga de aluguel”, na série “Hilda Furacão” e no filme “Terra em Transe” de Glauber Rocha.

 Para completar o filme traz versões de poesias de Mário Lago musicadas  por Lenine e Arnaldo Antunes e nos leva a compreender  a frase de Mário Lago: “Fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo: Nem ele me persegue, nem eu fujo dele, um dia a gente se encontra”.

 

 O documentário “Mário Lago” foi produzido pela Dona Rosa Filmes e conta com o patrocínio da Light e da TV Globo.

O documentário “Mário Lago” modified

 

Ficha Técnica

“Mário Lago” (Brasil, 2013/ 96’)

Direção: MARCO ABUJAMRA E MARKÃO OLIVEIRA

Roteiro: MARCO ABUJAMRA

Produção Executiva e Produção:  MARIANA MARINHO

Fotografia: MARKÃO OLIVEIRA

Montagem: LUÍS MARQUES DA CRUZ

Música: MÚSICAS DE MÁRIO LAGO

Edição de Som e Mixagem: RICARDO CUTZ

Produção de Base: LOLA GARCIA

Empresa Produtora:  DONA ROSA FILMES

Classificação Indicativa: LIVRE

Biografia dos diretores

 

Marco Abujamra é diretor e roteirista, entre os seus trabalhos destacam-se o doc. “Jards Macalé – Um Morcego na Porta Principal”, prêmio especial do júri Festival do Rio (2008), prêmio júri popular In-Edit Brasil (2009), Direção Geral do pgm “No Amor”, 1° filme colaborativo da TV Brasileira, co-produzido pelo Canal Brasil, prêmio Shell Direção Musical pela peça: O Auto da Compadecida, com direção de Antonio Abujamra.

  Markão Oliveira é diretor e fotógrafo, entre os seus trabalhos, podemos destacar o doc. “Deus sabe tudo mas não é X9”, em parceria com Fábio Gavião, documentário sobre os meninos da comunidade Pereira da Silva no RJ, indicado ao Prêmio de Melhor Documentário no Festival do Rio de 2008, “A Vida é um Sopro” doc. sobre Oscar Niemayer, de Fabiano Maciel / 2007, Prêmio de Melhor Fotografia no Festival de Goiânia 2007 , “Sorria você está na Barra”, de Isabel Jaguaribe / 2013. Diretor de Fotografia dos seguintes programas: “Alternativa Saúde 2011/ 2012/ 2013 do Canal GNT, pela Conspiração Filmes, “Som do Vinil” 2012 do Canal Brasil pela Samba Filmes, “Um Pé de Que?” 2002 a 2005 / 2012/ 2013 do Canal Futura, pela Pindorama Filmes e “Pé no Chão” 2009/2010 do Canal Multishow.