Hector Babenco, um dos mais representativos cineastas brasileiros, morreu após parada cardíaca na noite desta quarta-feira, 13/07/ 2016, aos 70 anos, em São Paulo.

Argentino naturalizado brasileiro, Babenco já foi indicado ao Oscar de melhor diretor pelo filme “O Beijo da Mulher Aranha”, de 1985. Dirigiu clássicos como “Pixote” (1982) e “Lúcio Flavio, o Passageiro da Agonia” (1977).

Babenco estava internado no Hospital Sírio Libanês por causa de uma sinusite, segundo sua filha, a fotógrafa Janka Babenco. “Ele já estava com o corpo cansado e teve a parada cardiorrespiratória. Foi tudo muito simples, muito básico”, disse Janka.

Além de Janka, Babenco deixa mais uma filha, dois netos e a esposa, a atriz Bárbara Paz, com quem era casado desde 2010.

O velório será na sexta-feira , 15/ 07 /2016, das 10h às 15h na Cinemateca, em São Paulo. Depois o corpo do cineasta será cremado no cemitério Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, em uma cerimônia para familiares e amigos.

 

Hector Babenco nasceu na Argentina em 1946 e se naturalizou brasileiro em 1977, desenvolvendo no Brasil uma carreira com filmes de peso, como “Carandiru”.

O primeiro longa-metragem do cineasta foi “O Rei da Noite” (1975). Estrelado por Paulo José e Marilia Pêra, o longa mostra a história de Tertuliano, narrada por ele mesmo, desde sua infância até a velhice.

Nascido em uma família paulistana tradicional, mas já arruinada, Tertuliano tem de conviver com a doença mental do pai, o ocaso familiar e uma série de casos amorosos.

Um dos principais trabalhos de Babenco é “O Beijo da Mulher-Aranha” (1985), pelo qual foi indicado ao Oscar de melhor diretor. O longa rendeu a estatueta de melhor ator para William Hurt e concorreu também nas categorias de roteiro adaptado e de melhor filme. Sônia Braga e Raul Julia (“Família Adams”) também estavam no elenco.

Baseada no livro homônimo de Manuel Puig, a história se passa num presídio de um país latino-americano, em que um militante de esquerda e um homossexual dividem uma cela.

Outro clássico de Babenco é o filme “Pixote, a Lei do Mais Fraco” (1982), que conta a história de um garoto que faz parte de um grupo de crianças de rua. Após sofrer muito em um reformatório, ele faz aliança com uma prostituta, interpretada por Marília Pera.

A história real do Pixote terminou em tragédia. O ator Fernando Ramos da Silva, que interpretou o protagonista do filme, acabou não seguindo carreira. Sete anos após o lançamento do filme, foi assassinado por policiais em São Paulo.

 

Babenco realizou um transplante de medula nos anos 1990 para tratar um linfoma linfático, experiência que resultou no filme autobiográfico “Meu Amigo Hindu”  de 2015, sobre um diretor, Diego ( interpretado por Willem Dafoe), que descobre um câncer em estado terminal. Quando confrontado pela Morte, interpretada por  Selton Mello, ele expressa só um desejo: realizar mais um filme.

O título do filme é uma referência a um garoto indiano que Diego conhece nos Estados Unidos, que também passa por tratamento, e com quem o protagonista encontra uma saída lúdica para enfrentar a doença.

Filmografia

2016 – Meu Amigo Hindu

2007 – O Passado

2003 – Carandiru

1998 – Coração iluminado

1990 – Brincando nos campos do Senhor

1987 – Ironweed

1984 – O beijo da mulher-aranha, (que rendeu o Oscar de melhor ator a William Hurt)

1980 – Pixote, a lei do mais fraco

1977 – Lúcio Flávio, o passageiro da agonia

1975 – O rei da noite

Prêmios

Indicado ao Oscar de melhor diretor, por O Beijo da Mulher-Aranha (1984).

Prêmio Leopardo de Prata, no Festival de Locarno, por Pixote – A Lei do Mais Fraco (1980).

Indicado ao Grande Prêmio Cinema Brasil, na categoria de melhor diretor, por Coração Iluminado (1998).

Prêmio do Público, na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, por Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1977).