Site CBM sugere que a celebre Piada Mortal seja esquecido com base no crime hediondo que o estupro de Barbara Gordon representa

Para Mark Cassidy, editor do site Comic Book Movie, que assina o editorial, Alan Moore foi sexista e preconceituoso na criação da historia com o estupro da personagem, “Este horrendo crime em uma graphic novel que ele teve a ousadia de chamar ‘A Piada Mortal’ Esse livro em quadrinhos foi escrito há muito tempo, mas agora vamos ter de lidar com todo um novo lembrete da tragédia de indução – porque eles vão desenvolver uma animação sobre isso”.

Cassidy finaliza dizendo que os eventos daquele dia terrível em Gotham deveriam ser apagados da existência, juntamente com exemplos de vitimização da vida real de / violência contra / leve desconforto sofrido por mulheres detalhados de várias formas na ficção, sem qualquer mérito artístico.

A Piada Mortal foi uma das graphic novel mais celebres já feitas, responsável direta pela composição da psique do Batman e do Coringa utilizadas até hoje na composição dos personagens em qualquer mídia.

A violência contra a mulher é uma coisa que deveria ser evitada em qualquer mídia, mas não se pode discriminar uma obra, literária, em HQ, cinema, game ou animação, por conter exemplos da mesma. Se começarmos a fazer isso, vários clássicos, como peças gregas, Shakespeare, Poe, Conan Doyle, Álvares de Azevedo, qualquer filme que a vilã é mulher e entra em um embate com o herói, uma serial killer perseguida pela polícia, etc, teriam que ser “destruídos” para evitar “glorificar o crime contra a mulher.

Mark Cassidy não pensou que em a Piada Mortal, o crime praticado pelo Coringa é tão incabível e desumano, que só serve para evidenciar sua monstruosidade, afastando qualquer identificação do leitor com o fato cometido. No processo criativo, ao longo do tempo, utilizar atos execráveis, serve de ferramenta para expor o lado desumano e demoníaco do vilão, mostrando o obstáculo que deve ser superado pelo herói para triunfar. No filme “O Silêncio dos Inocentes”, um psicopata prendia mulheres em um fosso e tirava suas peles para fazer um vestido. Em Seven, o criminoso obrigou um frequentador de um bordel a penetrar uma mulher com uma lâmina. Estes são só alguns exemplos de obras que usam a violência contra a mulher como forma de evidenciar o mal presente no criminoso, assim como em A Piada Mortal.

Na Graphic Novel, poucas coisas tirariam a sanidade do detetive Gordon e o Coringa usou justamente aquilo que poderia o deixar louco.

Ou seja, a cena do possível estupro (sim, pois isso não foi confirmado) não foi uma coisa aleatória e sem fundamento, teve um objetivo para a trama, não foi apenas uma tentativa de chamar mais a atenção na audiência da historia, ela teve o motivo e intenção real de deixar o detetive louco, com o Coringa falhando por fim. James no final ainda pede ao Batman que prenda o Coringa, sem mata-lo, mostrando que nem todos podem ser corrompidos.

Atualmente uma onda de “politicamente correto” assola algumas pessoas, impedindo que o bom senso ou a razão dite suas ações e pensamentos. Monteiro Lobato, exemplo de outra época e pensamento vigente, Mark Twain, quadros, peças, entre milhares de outros exemplos, são discriminados e taxados de “maus exemplos”, sem um pensamento mais profundo ou racionalização do contexto de sua criação. Se continuarmos assim, corremos o risco de presenciar outra “passeata da cultura ariana”, quando livros judeus foram queimados.

Cilique aqui para ler o editorial de Mark Cassidy.

Na Comic Con San Diego 2015 durante o painel da animação Justice League: Gods and Monsters, pelo roteirista e diretor Bruce Timm, responsável pelas animações da DC Comics, que o clássico A Piada Mortal de Alan Moore e Brian Bolland,vai virar um longa animado, esquentado a pol
êmica que envolve a obra.

Na HQ, o Coringa escapa de Arkham, atira em Barbara Gordon, a paralisando, para aterrorizar seu pai, o Comissário Jim Gordon.

O lançamento acontecerá em 2016, demonstrando a tendência da DC de adaptar histórias marcantes dos quadrinhos para animações, como Ano Um e Batman – O Cavaleiro das Trevas, ambas de Frank Miller.

Resta saber se desta vez saberemos se Batman mata mesmo o Coringa, grande enigma da HQ. A animação contará com um prólogo de 15 minutos para “situar” melhor a história.

Mas não é só esta polêmica que envolve a história, rumores diziam que uma animação do Batman com grande destaque para o Coringa seria lançada, mas a polêmica envolvendo uma capa com Barbara Gordon e o Coringa que recebeu, além de diversas críticas à história e ao modo como a personagem foi tratada tenha sido o motivo para o anuncio ter vindo apenas agora.

Foram anunciados também no painel Batman: Bad Blood, que introduzirá a Batwoman nas animações da DC, e Justice League vs. Titans, com os Jovens Titãs.

Será que veremos a cena de abuso do Coringa com Barbara Gordon na animação? É bem possível que a violenta cena seja alterada, como houve com uma capa que pretendia ser uma homenagem à obra, desenhada pelo artista brasileiro Rafael Albuquerque.

Albuquerque pediu que a DC Comics que não publicasse a capa alternativa de Batgirl #41 desenhada por ele. A imagem prestava homenagem à mais famosa história da Batgirl envolvendo o Coringa e foram alvos de debate e crítica em junho de 2014.

Aqueles a favor da mudança da capa argumentavam que o desenho sugeria violência contra a mulher que não condiz com o tom das hq’s da editora, sucesso de público e crítica voltado para o público feminino juvenil.

Quem pedia que a DC não mudasse a capa se posicionava, de modo geral, contra o excesso de correção política dos chamados “SJW” (sigla pejorativa para os defensores de minorias e direitos humanos nas redes sociais, os “social justice warriors”).

Capa censurada

Capa censurada

 

DC Comics reprovou versão original da graphic novel A Piada Mortal

Piada Mortal é um dos clássicos das HQ, que leva ao limite as tentativas do Coringa de enlouquecer o Homem-Morcego. Para muitos, o fato de Batman e o palhaço rirem juntos no final expõe o absurdo da relação de rivalidade (e até dependência) dos dois.

Artes originais de HQs, divulgadas por um colecionador, Billy Hynes, um ex-funcionário da loja de quadrinhos Gosh! Comics, em Londres,  em sua conta no Twitter, mostram uma página original, sem censura, de A Piada Mortal, a história do Batman por Alan Moore e Brian Bolland lançada pela DC Comics em 1988.

A página original mostra o momento em que Barbara Gordon é torturada pelo Coringa. A versão divulgada no Twitter mostra uma cena em que a personagem está nua, com os seios à mostra e ensanguentada. Ela joga luz em um antigo debate sobre a tortura de Barbara ter incluido elementos sexuais, que ficariam implícitos na história. Na versão final da HQ, apenas a violência física é mostrada de maneira explícita.

Versão original e versão publicada

Versão original e versão publicada

Inicialmente a ideia era abordar também a violência sexual, mas a DC achou o conteúdo muito pesado e pediu a Bolland que recriasse a cena. Bolland confirmou que a página é verdadeira, e que acabou criando uma nova cena, um close-up no rosto de Barbara Gordon, sob orientação da DC Comics.

Outra controvérsia que envolve o final da graphic novel, começou em 2008, quando o clássico A Piada Mortal (The Killing Joke), de Alan Moore e Brian Bolland, comemorou 20 anos.

O desenhista deu a entender no posfácio da edição comemorativa que Batman realmente mata o Coringa ao fim da história, mistério que tem acompanhado leitores da graphic novel desde 1988, e o quadrinista Grant Morrison reitera a posição de Bolland no podcast de Kevin Smith,

Smile

“O que eu amo na HQ é que ninguém percebe, 20 anos depois, que Batman matou o Coringa. É por isso que se chama The Killing Joke! Quando o Batman chega no pescoço do Coringa e o quebra, a risada para, simplesmente para. É realmente óbvio, se você prestar atenção. Esta é a última piada, este é o fim inevitável, esta é a piada mortal – está no título! É a história definitiva, qualquer coisa que veio depois é um eco dessa HQ. Brian Bolland mesmo diz: ‘Ele vai direto no pescoço e quebra!'”, diz Morrison no podcast.

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