A magia do Feminismo na mais nova série da Netflix: Sabrina!!!

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O mẽs de outubro foi de Hallloween na Netflix, que nos presenteou com A Maldição da Residência Hill e Sabrina. 

Séries de terror estão tendo sucesso ultimamente, a exemplo de American Horror Story, que segue viva e forte.

Mas nada melhor que explorar  bruxaria, adolescência o todo o feminismo impregnado no assunto! O Mundo Sombrio Sabrina, disponível na Netflix desde 26 de outubro, mergulha nestes assuntos, decupando-os para construir algo mais radical. Não é mais suficiente dizer “toda mulher é uma bruxa”, agora, precisamos considerar verdadeiramente o que significa ser uma mulher e o que significa ser uma bruxa.

 Qual é o custo de uma das duas identidades e quais são as obrigações associadas para os adolescentes de Sabrina, que é bruxa, humana e garota. 

Além de todo subtexto presente na série, há o peso de que se a magia não é utilizada para ajudar outros, então é algo egoista, pura feitiçaria.

Sabrina  é uma menina presa entre dois mundos há quase 16 anos, meio bruxa, meio humana, devendo escolher se quer viver no mundo das bruxas ou dos mortais em seu décimo sexto aniversário, quando espera participar de seu “batismo sombrio” e prometer sua alma para o diabo, uma escolha feita por elas ao nascerem, um simbolismo para o casamento, que as garotas eram obrigadas a fazer antigamente, assim que atingiam determinada idade.

Ao se aproximar de seu aniversário (justamente no Halloween, que apropiado), Sabrina fica cada vez mais frustrada com as provações do mundo humano. Sua amiga transsexual , Susie, é intimidada por quatro jogadores de futebol e, quando a situação aumenta, o diretor da escola se recusa a questionar os atletas, sugerindo que Susie “encontre outra escola”. 

Sabrina tem algumas habilidades mágicas (ela pode lançar feitiços com a ajuda de outros), mas falta-lhe o conhecimento e experiência para aproveitá-los na tentativa de resolver problemas globais como o sexismo. Embora a escolha do mundo da feitiçaria lhe desse maiores poderes, o batismo sombrio de Sabrina simultaneamente a tiraria do mundo que ela deseja curar. Além de ter que abandonar suas amiga e o namorado. E ela os ama, sendo capaz de fazer tudo por eles.

Como qualquer boa bruxa, ela se pergunta: De que servem os meus poderes se eu não puder usá-los para proteger os vulneráveis? Para que servem, se não para tentar equilibrar as balanças que pendem para os que estão no poder?

Sabrina logo percebe que o mundo das bruxas sofre os mesmos desequilíbrios de poder que ela está tentando combater no mundo mortal. “Todo mundo que vai para a academia é esnobe, horrível e/ou racista”, diz ela, acrescentando: “Eu tenho reservas sobre me salvar para o Lorde das Trevas. Por que ele decide o que eu faço ou não com meu corpo? ”(aí está o dilema de uma garota). Obedecer as leis da sociedade ou determinar suas próprias regras?

Além disso, acompanhamos a luta interna (e externa) de Suzie decidindo ser uma mulher trans. E vemos Ros (também melhor amiga de Sabrina) lutando contra uma pré determinação genética.

Juntas, a personagem Susie, Sabrina e sua amiga Ros, fundam uma organização feminista radical para apoiar estudantes marginalizados, chamada WICCA: Women´s Intersection Cultural and Creative Association (uma associação de creatividade cultural feminina que, ironicamente, tem nome de religião pagã).

“Se alguém mexer com você de novo, você terá uma irmandade reconhecida e legítima apoiando você”, Ros diz a Susie. 

 Sabrina traz magia para sua escola secundária mortal formando seu próprio tipo de coven com Ros e Susie, sua família escolhida, usando suas habilidades para buscar justiça e empoderar os desamparados, como toda bruxa deveria.

Justamente por isso que esta nova versão de Sabrina (bem mais fiel aos quadrinhos de Archie que a versão televisiva anterior) é tão interessante, pois só tem Mulheres fortes no show; lutando por seus direitos, seja por ações, por magias ou ambos.

Texto da colunista Lorena Soeiro, nerd, professora e tradutora de língua inglesa, cosplayer, roqueira, leitora de ficção, apaixonada por séries e documentários, cinéfila. colecionadora e louca por Tim Burton.

@lorenasoeiro

2018-11-08T11:50:41+00:00