Nascido nas profundezas do Inferno, Hellboy (ou, como é conhecido pelo seu nome verdadeiro, Anung un Rama) é um enorme ser de aspecto diabólico, filho de um demônio com uma feiticeira.

Foi descoberto pelo Professor Trevor Bruttenholm e soldados Aliados nas ruínas de uma capela nas Ilhas Britânicas em 23 de dezembro de 1944, após ter sido invocado do Inferno por uma ação conjunta de Rasputin, o monge louco e da Alemanha Nazista, que havia criado o projeto Ragnarok, com o intuito de trazer o apocalipse à terra. Hellboy mostrou ser uma alm,a pura e Bruttenholm criou o pequeno demônio como seu filho, ensinando-lhe a importância de ser humano, e treinou-o para combater as forças das trevas. Hellboy inclusive ganhou “status honorário de humano” das Nações Unidas em 1952.

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20 anos de Hell Boy

Ao atingir a maioridade, Hellboy passou a integrar a B.P.R.D. (Bureau of Paranormal Research and Defence) ao lado de figuras como Abe Sapien, Liz Sherman. Suas aventuras combatendo o mal levam-no a viajar por todo o mundo enquanto enfrenta ameaças tão diversas como vampiros, lobisomens, fantasmas, monstros, antigos deuses da noite, ladrões de túmulos, golens, e finalmente, os mais importantes dos seus inimigos: um grupo de Nazistas (que sobreviveu até hoje numa câmara criogênica) e o espírito imortal de Rasputin, que assombra Hellboy com revelações sobre o seu verdadeiro propósito e o seu destino de destruir o mundo que tanto ama.

Hellboy é também descendente do rei Arthur, por parte de sua mãe. Ele empunhou a mítica espada Excalibur na mini série “The wild hunt”, ainda não publicada no Brasil. Nessa história já se aproxima o clímax da série, com a guerra iminente dos seres míticos contra a humanidade e com Baba Yaga, a antiga bruxa russa, se aproximando de sua vingança contra Hellboy (Hellboy arrancou um olho dela na história curta “Baba Yaga”).

Segundo Mignola, a série irá acabar (ao contrário de títulos contínuos como Batman ou X-Men), provavelmente com Hellboy morto. O escritor e artista disse que já “tentou matar Hellboy” outras vezes durante a série, como na misteriosa história “a ilha”, que conta mais acerca das origens do mundo de Hellboy. O último episódio da saga de Hellboy será a mini série em três partes intitulada “the fury”. Todavia, as histórias do personagem seguem duas linhas: uma no presente, contando sua história e seu desfecho, em tom épico, e uma linha no passado, com histórias de Hellboy atuando como agente do Bureau de pesquisa e defesa paranormal pelo mundo. Assim sendo, é possível que o herói não se ausente por completo dos quadrinhos.

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Mike Mignola, criador do Hell Boy

O criador do personagem, Mike Mignola já tinha certo nome na indústria devido à colaborações com a DC. Nas convenções nos EUA e pelo mundo, quando os fãs vinham pedir um sketch, o artista desenhava rapidinho um demônio de chifres serrados e cara de mau. Sem pensar muito, chamava-o de Hellboy.

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A Dark Horse botou quatro páginas de Hellboy na San Diego Comic-Con Comics #2, revista que distribuiria na famosa convenção. O amigo Byrne ajudou-o no roteiro, pois Mignola não estava seguro em fazer uma história inteira sozinho. Era agosto de 1993, e a revista teve tiragem ínfima de 1.500 exemplares. No início do ano seguinte, saiu Hellboy: Sementes da Destruição, a primeira minissérie oficial, com Byrne também auxiliando nos roteiros.

Hellboy chegava ao resto do mundo. Aos poucos, a imagem da criatura vermelha vestindo sobretudo, com dois discos na testa onde havia seus chifres – que Hellboy serra para renegar sua origem demoníaca e sua profecia de portador do apocalipse – e a Mão Direita da Perdição ao mesmo tempo ameaçadora e cartunesca, começou a se popularizar.

Na sua cronologia própria, Hellboy chegou ao mundo em 1944, num experimento do monge Rasputin (baseado no místico russo de mesmo nome) a serviço do regime nazista. Embora fosse filho do demônio Azzael, “parido” pelos ocultistas do quase derrotado Terceiro Reich, Hellboy acabou adotado por um acadêmico britânico e criado entre os Aliados, no Bureau de Pesquisa e Defesa Paranormal. A ambientação era a desculpa de Mignola para desenhar Hitler e Cia., os vilões preferidos dos EUA, e máquinas gigantes, monstros lovecraftianos e tudo mais que o quadrinista curtia.

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Como todo quadrinho de autor e sem super-herói convencional, Hellboy não era um estrondo de vendas. A arte de Mignola certamente chamava a atenção entre os entendidos, o que lhe valeu a publicação em países da Europa e até no Japão. No Brasil, a primeira minissérie do personagem chegou em 1998.

Mignola começou a oferecer seu personagem para crossovers com outros heróis,  o que inteligentemente passou a impressão de que Hellboy tinha mais renome do que de fato ostentava. Encontrou em HQs a justiceira Ghost, o Savage Dragon de Erik Larsen, Painkiller Jane, além de Batman e Starman. Também ganhou versões cômicas, como Hellboy Junior, entregue ao cartunista Bill Wray, e derivações , como o Bureau de Pesquisa e Defesa Paranormal, Abe Sapien, Lobster Johnson e outros coadjuvantes começaram a estrelar especiais e minisséries.

Nos fins dos anos 1990, já se falava no filme de Hellboy, obra dos bons contatos da Dark Horse com Hollywood. Em 2001, Guillermo del Toro, o diretor mexicano que recuperara a carreira com o terror A Espinha do Diabo e que voltava aos EUA com Blade II, estava reunindo-se com Vin Diesel para encarnar o garoto do inferno. O primeiro Hellboy cinematográfico acabou acontecendo em 2004, com Ron Perlman no papel principal, boa recepção da crítica e retorno considerável de bilheteria – o que garantiu uma sequência, lançada em 2008 e com sucesso ainda maior.

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Em 2004 estreou o filme Hellboy, adaptado da HQ, dirigido por Guillermo del Toro, com Ron Perlman (Hellboy), John Hurt (Trevor Bruttenholm), Selma Blair (Liz Sherman), Rupert Evans (John T. Myers), Karel Roden (Grigori Rasputin) e Doug Jones (Abe Sapien) nos principais papéis.

Em 2008, é lançado o novo filme do Hellboy: “Hellboy II: O Exército Dourado”.O filme explora a fundo a relação entre Hellboy e o seu “pai” adotivo, o Professor Broom, com novos vilões como o demônio Sammael, e papéis alargados para os vilões nazistas Ilsa Haupstein e Karl Ruprecht Kroenen, além de seu próprio destino como a Chave do Apocalipse. Os filmes seguem uma cronologia diferente da oficial nos quadrinhos, representando uma visão bastante pessoal de Guillermo Del Toro sobre o universo de Hellboy.

Diretamente envolvido nos filmes, Mignola ficou com tempo ainda mais escasso para a prancheta. Após O Despertar do Demônio, O Verme Vencedor e um punhado de histórias menores, o artista manteve-se como roteirista mas entregou os desenhos de minisséries como O Clamor das Trevas e Caçada Selvagem ao inglês Duncan Fegredo – forçado a imitar, dentro do possível, o estilo do chefe. De outro lado, o veterano Richard Corben foi convidado a desenhar outras minisséries e especiais do garoto infernal, algumas situadas no passado do personagem.

Só em 2012 Mignola conseguiu voltar à prancheta para dedicar-se ao personagem. Hellboy in Hell, que começou a sair em dezembro, é planejada como série mensal, embora o cronograma seja flexível – depois de quatro edições, a quinta só deve sair no final de 2013.

Foram feitas pouco mais de 60 revistas do Hell Boy nestes 20 anos, sendo que Mignola escreveu todas, mas desenhou menos da metade. Já as séries derivadas, como B.P.R.D., já passam das 100 edições, ou o dobro se forem considerados especiais e minisséries com outros coadjuvantes (Mignola co-roteiriza a maioria). Fora os dois filmes, Hellboy também virou longas de animação, mais de dez livros de prosa (três deles antologias por vários autores), videogame e RPG.
Trailer Hell Boy:

Trailer Hell Boy II:

Animação do Hell Boy: